Os indicadores sócio-econômicos realmente são determinantes dos criminais? A primeira observação que devemos fazer é a de que na última década, o Brasil experimentou uma melhora significativa no seu IDH(Índice de Desenvolvimento Humano), no entanto, através de seu programa de desenvolvimento econômico, o governo militar promoveu uma grande concentração de renda. Isso resultou no inchaço das grandes cidades e no processo de favelização das metrópoles. É claro que esse acontecimento favoreceu o desenvolvimento da criminalidade no Brasil.
Porém, vários outros fatores devem ser analisados. O que leva jovens que têm vida confortável a se aventurar numa vida criminosa? Podemos apontar o caso de uma quadrilha formada por universitários da classe média. Perguntados sobre os motivos que os levaram a ser assaltantes, eles simplesmente afirmaram que roubavam por emoção. É inacreditável, mas muitos jovens são atraídos pela imagem idealizadora que algumas mídias dão aos criminosos. Um exemplo disso é o filme “Alpha Dog” que conta a trajetória de Jesse James Hollywood, criminoso americano acusado de assassinar Nicholas Markowitz. Mas esse não é o único aspecto que deve ser analisado. Se a mídia exerce tanta influência sobre o comportamento de nossa juventude, é porque por outro lado, a família já não consegue ser um grupo de referência forte o suficiente para incutir em sua prole valores morais positivos. Ou pior que isso: a família nem sequer preocupa-se em transmitir tais valores. Não só a família, mas também os colégios e faculdades deixaram de cumprir sua missão de formar cidadãos com sólida conscientização dos valores cívicos.
Não poderíamos esquecer de citar também o aumento nas últimas décadas do uso se drogas lícitas e ilícitas por parte dos jovens brasileiros. Segundo o Ministério da Saúde, o consumo de bebidas alcoólicas por adolescentes de 12 a 17 anos cresceu de 48% em 2001 para 54,3% em 2005. O álcool está relacionado a 52% dos casos de violência doméstica em todo o país. Como vemos, as drogas tanto incentivam a violência devido aos efeitos químicos que provocam nos usuários como também por levarem grande parte destes para o tráfico organizado. Vemos nos últimos anos, particularmente no Rio de Janeiro, o envolvimento de jovens da classe média alta com o crime organizado, justamente devido o tráfico de drogas.
A violência no Brasil deve ser combatida por duas vertentes: primeiramente deve-se coibir a criminalidade através de ações armadas e judiciais tirando da mente das novas gerações a idéia de que no Brasil o crime, de fato, compensa. Em segundo lugar, deve-se combater as causas profundas da violência como a falência da família como instituição e a educação deficiente de nosso sistema de ensino. Dificilmente a criação de instituições assistencialistas governamentais ou ONGs resolverá o problema da violência no Brasil. A violência é um problema de todos, e por isso todos devem ajudar a vencê-la.
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