sábado, 1 de agosto de 2009

O problema da violência no Brasil

Assevera-se quase instintivamente que o problema da violência no Brasil é decorrente das péssimas condições sociais de nosso país. Apesar da questão da violência ser bastante discutida no Brasil, poucos se arriscam em buscar as causas mais profundas desse problema que afeta toda a nação brasileira. Não podemos nos esquivar desse tema com uma resposta superficial e nem dizer que a situação de segurança do país é irreversível não existindo nada que possamos fazer para mudá-la. A cidade de Nova Iorque, por exemplo, já ostentou altíssimos níveis de criminalidade, mas depois que foram tomadas uma série de medidas por parte do governo, os índices de segurança melhoraram consideravelmente.

Os indicadores sócio-econômicos realmente são determinantes dos criminais? A primeira observação que devemos fazer é a de que na última década, o Brasil experimentou uma melhora significativa no seu IDH(Índice de Desenvolvimento Humano), no entanto, através de seu programa de desenvolvimento econômico, o governo militar promoveu uma grande concentração de renda. Isso resultou no inchaço das grandes cidades e no processo de favelização das metrópoles. É claro que esse acontecimento favoreceu o desenvolvimento da criminalidade no Brasil.

Porém, vários outros fatores devem ser analisados. O que leva jovens que têm vida confortável a se aventurar numa vida criminosa? Podemos apontar o caso de uma quadrilha formada por universitários da classe média. Perguntados sobre os motivos que os levaram a ser assaltantes, eles simplesmente afirmaram que roubavam por emoção. É inacreditável, mas muitos jovens são atraídos pela imagem idealizadora que algumas mídias dão aos criminosos. Um exemplo disso é o filme “Alpha Dog” que conta a trajetória de Jesse James Hollywood, criminoso americano acusado de assassinar Nicholas Markowitz. Mas esse não é o único aspecto que deve ser analisado. Se a mídia exerce tanta influência sobre o comportamento de nossa juventude, é porque por outro lado, a família já não consegue ser um grupo de referência forte o suficiente para incutir em sua prole valores morais positivos. Ou pior que isso: a família nem sequer preocupa-se em transmitir tais valores. Não só a família, mas também os colégios e faculdades deixaram de cumprir sua missão de formar cidadãos com sólida conscientização dos valores cívicos.

Não poderíamos esquecer de citar também o aumento nas últimas décadas do uso se drogas lícitas e ilícitas por parte dos jovens brasileiros. Segundo o Ministério da Saúde, o consumo de bebidas alcoólicas por adolescentes de 12 a 17 anos cresceu de 48% em 2001 para 54,3% em 2005. O álcool está relacionado a 52% dos casos de violência doméstica em todo o país. Como vemos, as drogas tanto incentivam a violência devido aos efeitos químicos que provocam nos usuários como também por levarem grande parte destes para o tráfico organizado. Vemos nos últimos anos, particularmente no Rio de Janeiro, o envolvimento de jovens da classe média alta com o crime organizado, justamente devido o tráfico de drogas.

A violência no Brasil deve ser combatida por duas vertentes: primeiramente deve-se coibir a criminalidade através de ações armadas e judiciais tirando da mente das novas gerações a idéia de que no Brasil o crime, de fato, compensa. Em segundo lugar, deve-se combater as causas profundas da violência como a falência da família como instituição e a educação deficiente de nosso sistema de ensino. Dificilmente a criação de instituições assistencialistas governamentais ou ONGs resolverá o problema da violência no Brasil. A violência é um problema de todos, e por isso todos devem ajudar a vencê-la.

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